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José Pancetti (1902-1958) foi um dos grandes paisagistas da pintura brasileira e talvez nosso maior pintor de marinhas. Para isso deve ter contado o fato de que foi marinheiro, convivendo cotidianamente com a luz, as cores e os vastos horizontes do mar. Na década de 1950 foi morar na Bahia, onde realizou seus quadros mais famosos. Mas a qualidade da pintura de Pancetti – desenhista e colorista excepcional – se revela em qualquer tema. Os frutos de suas naturezas-mortas nos dão vontade de acariciá-los e cheirá-los. Os retratos conferem solidez aos personagens, ao mesmo tempo serenos e severos. Ele e Guignard talvez sejam nossos melhores retratistas.
Foi tão grande o prazer de rever a Callas cantando a Habanera, da Carmen, que não resisti a lhes trazer outra ópera igualmente querida: O Barbeiro de Sevilha. Consta que Gioachino Rossini (1792-1868), seu autor, teria dito: “Me dêem o rol da lavanderia que eu o coloco em música”. Esse tipo de citação é fajuta, mas sempre bem inventada. Com sua facilidade, gênio melódico e brilho Rossini faria mesmo até da lista de roupas uma ótima ária de ópera – provavelmente cômica, que nem o Barbeiro de Sevilha. Entre 1815 e 1823, ele compôs trinta óperas (!), com um sucesso estrondoso que despertava invejas por todo lado. Quando em 1822 Beethoven o conheceu, elogiou-o francamente mas acrescentou: “Nunca tente escrever nada além de ópera bufa. Qualquer outro estilo seria uma violência à sua natureza”. Será que não há aí uma pontinha de maldade? Clique aqui para ver o excelente barítono russo Dmitri Hvorostovsky (falecido precocemente há exatamente um ano) cantando a ária mais famosa do Barbeiro.
Tenho o dever de lhes chamar a atenção para coisas interessantes e um pouco diferentes. É o caso de uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, com obras realistas e hiper-realistas, tendências norte-americanas dos anos 1960 e 70. Há artistas que trabalham com elas até hoje, embora já não tenham o impacto da novidade. À primeira vista, o que talvez mais impressione seja o inacreditável virtuosismo
A 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas é imensa, gigante mesmo. É quase impossível ver tudo numa visita só, há muita coisa que merecer ser vista com toda a atenção. De qualquer forma, em um dos cantos do térreo é possível visitar uma área dedicada aos gifts de Friedrich Fröbel. Explicando bem por cima, ele foi um educador que desenvolveu o método de Kindergarten, que conhecemos por Jardim da Infância, e influenciou outros educadores como Maria Montessori e Rudolf Steiner. Fröbel dedicou sua vida à educação infantil e a desenvolver métodos para maximizar o potencial humano. É aqui que chegamos à Bienal.
Paulo Roberto Leal nasceu no Rio em 1946 e morreu em 1991. Artista abstracionista geométrico, surgiu na década de 1970 e logo ganhou um prêmio na Bienal de São Paulo e integrou a representação brasileira na Bienal de Veneza. Também conseguiu sucesso de mercado, graças a uma produção inteligente e sedutora. Saiu dos holofotes porque morreu tão cedo. Artistas no estágio em que ele estava têm de permanecer ativos por mais um bom tempo, para trabalhar sua imagem e sua obra. Isso faz parte da carreira e não é ilegítimo.
Se não a maior (como medir esse tipo de coisa?), Maria Callas foi a mais ilustre e badalada cantora de ópera do século XX. Filha de imigrantes gregos, nasceu em Nova York em 1923 e morreu em Paris em 1977. Tinha uma voz prodigiosa pela beleza e extensão e conseguia cantar desde papeis para soprano ligeiro (a voz mais aguda e mais ágil) até meio-soprano, como a Carmen de Bizet. Sua personalidade e beleza física também marcaram época. Teve um caso tumultuoso com ninguém menos que Aristóteles Onassis, que a deixou por Jacqueline Kennedy. Por incrível que pareça, era apaixonada por ele e seu poder (não pelo dinheiro: Ari não lhe dava um tostão) e ficou muito abalada com a ruptura. Clique aqui para vê-la cantando a Habanera, a ária mais famosa da Carmen. Percebe-se ainda que era ótima atriz.
Seu nome era Manoel alguma coisa, conhecido na Paraíba como Mané Caixa d’Água. Mas deveria ser chamado de caixa (ou antes: poço) de poesia. Não descobri suas datas de nascimento e morte; teria hoje mais de 90 anos. Poeta popular, publicou vários livros de cordel e vivia da venda deles. Quase sempre de terno branco, também saía recitando poemas nos bares de João Pessoa. Mané é prova – há outras – de que o fazer poesia, o talento poético, acontece nas mais diversas situações, tanto entre gente intelectualizada quanto em espíritos (aparentemente) simples. Os versos abaixo chegam a ser requintados. (Um dia lhe perguntaram o sentido do verbo abrumar. Respondeu: “É coisa de mãe. Eu vou lá saber coisa de mãe?”)
A Galeria Arte 57 apresenta a exposição dentro/fora/dentro e vice-versa, com curadoria de Paulo Miyada (São Paulo, 1985), curador-chefe do Instituto Tomie Ohtake e pesquisador de arte contemporânea. Explorando o espaço e orientando o percurso estão obras como Relevo Espacial A19 (1959) e o penetrável Macaléia (1978), ambas de Helio Oiticica, e entre elas peças importantíssimas de Waltercio Caldas, José Resende e Iran do Espírito Santo, entre outros nomes de peso. Definitivamente é uma mostra que faz o visitante rodar por entre as obras, procurar novos pontos de vista e enxergar sentidos diferentes a cada vez que volta a bater o olho nas peças. Entre uma rodada e outra pelo salão, conversei com Paulo Miyada sobre sua trajetória e como foi a concepção da exposição. E, sem mais voltas, confira como foi nosso papo!
Imagine obras de nomes como Leda Catunda, Antonio Dias e Ivan Serpa. Agora imagine que você pode ter obras desses artistas incríveis a preços bem acessíveis! Assim é a seleção de desenhos, guaches, colagens e aquarelas que você encontra no catálogo do 5º Leilão de arte online da Blombô Leilões. Porque, mesmo em tempos de crise, a arte nunca pode faltar!
Quem aprecia arte contemporânea tem uma oportunidade incrível de aumentar ou começar sua coleção nesta edição do leilão da Blombô Leilões com obras incríveis de artistas como Manabu Mabe, Ivan Serpa, Marcelo Solá, Valdirlei Dias Nunes e Daniel Senise.
