agosto 2026
Poucos elementos visuais se tornaram tão reconhecíveis na arte contemporânea quanto as bolinhas de Yayoi Kusama. Presentes em pinturas, esculturas, objetos e instalações, elas se multiplicam até quase apagar aquilo que existe por baixo. Em sua obra, porém, a repetição está longe de ser apenas decorativa: é uma maneira de investigar infinito, percepção, identidade e desaparecimento.
Entre as regiões mais emblemáticas do vinho francês, Bordeaux e Borgonha ocupam lugares quase míticos. Distantes geograficamente, ambas desenvolveram ao longo dos séculos sistemas de produção, classificação e comercialização bastante particulares. Mais do que estilos diferentes de vinho, representam duas formas distintas de interpretar a relação entre uva, território e produtor.
Há safras que permanecem na memória por causa dos vinhos que produziram. E há outras que acabam modificando a própria história do vinho. Bordeaux 1982 pertence às duas categorias.
Existe um instante curioso diante de uma obra de Vik Muniz. Primeiro reconhecemos uma imagem. Depois percebemos que ela é feita de algo completamente inesperado. É nesse intervalo entre reconhecer e descobrir que seu trabalho acontece.
Pensar a trajetória de Amilcar de Castro em Belo Horizonte é reconhecer que sua obra não se limita ao campo da escultura. Ela também atravessa a história da Escola Guignard, instituição que ocupa um lugar singular na formação da arte brasileira e cuja influência se confunde com a construção de uma identidade artística para a cidade.
Poucos artistas latino-americanos transformaram a arte em um instrumento de reflexão crítica com a intensidade de León Ferrari (1920–2013). Ao longo de mais de seis décadas de produção, o artista argentino construiu uma obra que atravessa desenho, escultura, gravura, colagem, escrita e instalações, questionando continuamente as relações entre poder, religião, violência e liberdade.
Ao longo de sua trajetória, a obra de Iberê Camargo estabeleceu um diálogo permanente com diferentes linguagens artísticas. Essa capacidade de ultrapassar os limites da pintura encontra uma de suas expressões mais significativas em Dédale (2009), curta-metragem do cineasta francês Pierre Coulibeuf realizado na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. Mais do que um filme sobre o artista, a obra transforma pintura, arquitetura e cinema em uma única experiência visual, na qual cada linguagem amplia o significado da outra.
Poucas cidades brasileiras mantêm uma relação tão profunda com a arte moderna quanto Belo Horizonte. Desde meados do século XX, a capital mineira consolidou-se como um dos principais centros de formação artística do país, reunindo arquitetos, intelectuais e artistas que transformaram a cidade em um importante laboratório da modernidade brasileira.