dezembro 2018
Enquanto a Art Basel Miami agita a cidade com feiras e eventos durante uma semana no mês de dezembro (este ano segue até o dia 9), trazendo curadores, galeristas, colecionadores, críticos e artistas do mundo todo, a Design Miami firmou-se como o fórum mundial para discutir o design. Expositores apresentam seus móveis, iluminação e objetos de arte em exibições dignas de museus e galerias. Mais do que um espaço para oportunidades comerciais, o evento pretende proporcionar oportunidades de parcerias entre instituições e designers, oferece painéis e palestras sobre design, arquitetura, arte e moda, enquanto arquitetos e designers já consagrados ou emergentes apresentam seus projetos comissionados.
Só o fato de que ela tenha escolhido viver em Porto Alegre e seu temperamento introspectivo explicam que Karin Lambrecht não seja, hoje, uma artista ainda mais conhecida e aclamada. Sua ampla e diferenciada obra – diferenciada em relação a outras e diferenciada dentro de si mesma – obriga a recolocar em cena um
termo que não está em moda: talento. Para qualificar o talento de Karin, gaúcha de 60 anos, filha de alemães, tenho de procurar um adjetivo especial: resplandecente, talvez? Estão todos a ver, desde já, o entusiasmo com que recomendo uma visita a sua exposição, que ora acontece no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
Existe uma data ‘oficial’ de nascimento para a arte moderna brasileira: a famosa Semana de 1922, em São Paulo. Mas a Semana foi um evento de elite, e artistas humildes, imigrantes e descendentes de imigrantes, não tiverem acesso a ela. Só em meados da década de 1930, pintores dessa origem se reuniram e começaram a trabalhar juntos e a aparecer. Sob o nome de Grupo Santa Helena, tornaram-se famosos Alfredo Volpi, Francisco Rebolo, Clóvis Graciano, Fúlvio Pennacchi, Mário Zanini e Aldo Bonadei (1906-1974). Este era filho de italianos e estudou brevemente na Europa. Porém existia em todos eles uma compreensível espécie de modéstia: eram pintores figurativos, não intelectualizados, sem ideias vanguardistas, e mostravam a realidade a seu redor: bairros e subúrbios paulistanos. Dentro disso souberam fazer boa pintura.
No século 19 as moças aprendiam piano. No século anterior os intelectuais ilustres faziam poesia. Entre os Inconfidentes Mineiros, três foram poetas: Inácio José de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. Alvarenga nasceu no Rio em 1742 e morreu degredado em Angola cinquenta anos depois. Formou-se em Coimbra e ocupou importantes cargos públicos em Minas Gerais. Era realmente progressista e iluminista, mas parece que aderiu à Inconfidência sobretudo porque tinha dívidas com a Coroa Portuguesa. Sugeriu a inscrição latina que aparece na bandeira de Minas – Libertas quae sera tamen –, que está errada. O tamen está sobrando.
Todos os anos, Miami se torna a capital mundial da Arte, do Design e tudo que é relacionado às artes visuais. Durante uma semana em dezembro, feiras, eventos, exposições e outros acontecimentos paralelos agitam a cidade, unindo galeristas, colecionadores, artistas e amantes das artes. A Blombô está por aqui, conferindo a Design Miami e a Art Basel de pertinho para trazer as novidades quentinhas até você. Fique ligado aqui no Blog, no Facebook e no Instagram e não perca nenhum detalhe!
Pela terceira vez consecutiva estou-lhes trazendo um cantor. Não é falta de imaginação. É que senti o desejo de partilhar sentimentos diferentes. Hoje vão ouvir Susan Boyle.