Blog

As dores de reumatismo de Guignard

As dores de reumatismo de Guignard

Em vida, Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) foi extremamente infeliz. Tinha lábio leporino e palato fendido, regurgitava comida pela narina durante a refeição (imaginem o custo social disso), não conseguiu ter um amor correspondido, bebia muito, passava necessidades, vivia de favor em casa de amigos. Depois de morto, provou-se que foi um dos maiores pintores do modernismo, com um universo próprio cheio de poesia. Os quadros mais conhecidos são as paisagens imaginárias de Minas, com suas igrejinhas salpicadas no espaço. No entanto, Guignard pintou também numerosas figuras de Cristo e de São Sebastião. Estas eram feitas quando ele sentia suas dores reumáticas. Uma peculiar transposição da vida para a obra, que resulta em quadros tão belos quanto o destacado abaixo, o óleo sobre tela São Sebastião.

Leia mais
Paula Reis 1568 views Nenhum comentário
Não somos masoquistas, e no entanto...

Não somos masoquistas, e no entanto...

Não temos a menor ideia de quantos milhares de rapazes brasileiros de 22 anos estão neste momento infelizes ao ponto do desespero e procuram algum (falso) alívio usando droga. Muito menos sabemos quantos deles chegarão ao extremo de matar-se. O que podemos ter certeza é que, nem por isso, seus desenhos e rabiscos entrarão um dia num museu. É necessário ir além do sofrimento.

Leia mais
Paula Reis 910 views Nenhum comentário
Uma elegância infinita

Uma elegância infinita

Em qualquer país do mundo há menos escultores que pintores. Não é um problema de vocação ou talento e sim prático: a escultura dá muito mais trabalho, custa infinitamente mais cara, é operacionalmente supercomplicada. Já imaginaram o que foi realizar, por exemplo, o imenso Monumento às Bandeiras, que fica em frente ao Parque Ibirapuera, em São Paulo – e foi evidentemente executado em partes separadas, e desde a ideia até ficar ponto tomou mais de trinta anos ao autor?

Leia mais
Paula Reis 965 views Nenhum comentário
A dona da palavra cristalina

A dona da palavra cristalina

É claro que fazer poesia nunca foi um privilégio masculino. Se ao longo da história surgiram menos poetas-mulheres (aconselho não usar o termo poetisa – diga a poeta Fulana), é porque as mulheres sempre tiveram menos oportunidades. Imagine as que, na Idade Média, em vez de cuidar humildemente da casa e de seu amo e senhor, inventassem escrever versos. Perigava irem parar na fogueira.

Leia mais
Paula Reis 1323 views Nenhum comentário
Boas Festas!

Boas Festas!

2018 foi um ano incrível para a Blombô! Trabalhamos duro, arriscamos, acertamos, fizemos nosso melhor, aprendemos. Participamos da SP Arte e lançamos nosso Blog. Nossos leilões apoiaram instituições como a Associação Beneficente Santa Fé, Instituto Rodrigo Mendes e Pivô. Encerramos o ano numa linda parceria com a Galeria Luisa Strina para a realização do leilão em prol da ONG Anima. Nosso catálogo aumentou e levamos arte para perto de muitas pessoas.

Leia mais
Paula Reis 883 views Nenhum comentário
Maya Angelou, Basquiat e Elena Ferrante para crianças

Maya Angelou, Basquiat e Elena Ferrante para crianças

Se você gosta de escolher presentes que levem aquele tanto a mais de arte e conteúdo para os pequenos, nós temos duas dicas imperdíveis para este Natal. A primeira é A Vida Não Me Assusta, escrito por Maya Angelou e ilustrado por Jean-Michel Basquiat. Lançado há 25 anos nos Estados Unidos, somente em 2018 ganhou um versão em português, lançada pelo selo Caveirinha da editora DarkSide Books. Escrito no formato de poema, o livro não traz só a mensagem para que as crianças enfrentem com valentia seus medos, mas também traz representatividade de duas grandes e importantíssimas personalidades que sofreram racismo, um sem número de violências e, ainda assim não se assustaram com a vida. Produziram a arte que vive até hoje, ecoando sua forte mensagem.

Leia mais
Paula Reis 1548 views Nenhum comentário
A ordem e o fim do CAOS de Eduardo Srur

A ordem e o fim do CAOS de Eduardo Srur

Depois de quase 4 meses em exposição, a obra CAOS, do artista Eduardo Srur, passou por uma transformação radical no última dia 10 de dezembro, tornando-se praticamente um novo trabalho. O que antes eram 2 blocos enormes de carrinhos coloridos e presos de forma caótica uns sobre os outros, passou a ser uma enorme instalação no chão, com os carrinhos na mais perfeita ordem, lado a lado, fileira após fileira, lembrando o pátio cheio das montadoras. E assim, numa formação sem nenhum caos, veio o grand finale: quando o museu abriu suas portas no dia seguinte, cada um dos visitantes pôde pegar um dos carrinhos e levar para casa um pedaço da obra autografada pelo próprio Srur, que recebeu o público desde as primeiras horas.

Leia mais
Paula Reis 3879 views Nenhum comentário
Um dos três grandes da língua

Um dos três grandes da língua

Muitos de vocês já deviam estar-se perguntando: e Carlos Drummond de Andrade? Por que não apareceu ainda, ele que é provavelmente o mais famoso poeta moderno brasileiro? Para mim, não só o mais famoso; também o maior. Como não existe instrumento para esse tipo de medida, não posso apresentar provas, a não ser seus próprios poemas maravilhosos. De tempos em tempos trarei um aqui. E cada vez mais vocês se deslumbrarão, e acabarão concordando comigo. Eis os três grandes da língua portuguesa: Camões, Fernando Pessoa, Drummond.

Leia mais
Paula Reis 1009 views Nenhum comentário
Uma festa na terra da Rainha

Uma festa na terra da Rainha

Uma coisa puxa a outra. Da última vez, ouvimos Susan Boyle, descoberta num programa de tv inglês. A terra da Rainha me ficou na cabeça e, nesse caso, inevitavelmente eles tinham que ser os seguintes: Paul, Ringo, George e John, a mais ilustre banda de rock de todos os tempos. Qual era a mágica dos Beatles? De onde vinha sua sedução, que fazia as mocinhas desmaiarem histéricas nos shows, e o mundo inteiro comprar, encantado, seus discos? Eu não sei responder, talvez os especialistas saibam. Ao ouvi-los, hoje, o que me toca é o talento, a honestidade, a limpidez, seu modo transparente de ser e o lirismo saudável. Suas letras contam histórias simples, quase sempre do dia a dia, colocadas em lindas melodias.

Leia mais
Paula Reis 891 views Nenhum comentário