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Em vida, Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) foi extremamente infeliz. Tinha lábio leporino e palato fendido, regurgitava comida pela narina durante a refeição (imaginem o custo social disso), não conseguiu ter um amor correspondido, bebia muito, passava necessidades, vivia de favor em casa de amigos. Depois de morto, provou-se que foi um dos maiores pintores do modernismo, com um universo próprio cheio de poesia. Os quadros mais conhecidos são as paisagens imaginárias de Minas, com suas igrejinhas salpicadas no espaço. No entanto, Guignard pintou também numerosas figuras de Cristo e de São Sebastião. Estas eram feitas quando ele sentia suas dores reumáticas. Uma peculiar transposição da vida para a obra, que resulta em quadros tão belos quanto o destacado abaixo, o óleo sobre tela São Sebastião.
Não temos a menor ideia de quantos milhares de rapazes brasileiros de 22 anos estão neste momento infelizes ao ponto do desespero e procuram algum (falso) alívio usando droga. Muito menos sabemos quantos deles chegarão ao extremo de matar-se. O que podemos ter certeza é que, nem por isso, seus desenhos e rabiscos entrarão um dia num museu. É necessário ir além do sofrimento.
Em qualquer país do mundo há menos escultores que pintores. Não é um problema de vocação ou talento e sim prático: a escultura dá muito mais trabalho, custa infinitamente mais cara, é operacionalmente supercomplicada. Já imaginaram o que foi realizar, por exemplo, o imenso Monumento às Bandeiras, que fica em frente ao Parque Ibirapuera, em São Paulo – e foi evidentemente executado em partes separadas, e desde a ideia até ficar ponto tomou mais de trinta anos ao autor?
O dia 7 de janeiro foi escolhido como o Dia do Leitor no Brasil. Para celebrar esta data fizemos uma lista com livros relacionados à arte para você se inspirar. Escolha o seu e boa leitura!
Antes de tudo, o título acima está imperfeito. Não é mais verdade que as duas sejam lindas. Como boa prima donna, a russa Anna Netrebko (nascida em 1971) engordou muito e está longe da figura e do rosto de antes; já-já se torna uma babuchka. Elina Garanca, sim, nascida na Letônia (1976), essa continua bonita.
É claro que fazer poesia nunca foi um privilégio masculino. Se ao longo da história surgiram menos poetas-mulheres (aconselho não usar o termo poetisa – diga a poeta Fulana), é porque as mulheres sempre tiveram menos oportunidades. Imagine as que, na Idade Média, em vez de cuidar humildemente da casa e de seu amo e senhor, inventassem escrever versos. Perigava irem parar na fogueira.
2018 foi um ano incrível para a Blombô! Trabalhamos duro, arriscamos, acertamos, fizemos nosso melhor, aprendemos. Participamos da SP Arte e lançamos nosso Blog. Nossos leilões apoiaram instituições como a Associação Beneficente Santa Fé, Instituto Rodrigo Mendes e Pivô. Encerramos o ano numa linda parceria com a Galeria Luisa Strina para a realização do leilão em prol da ONG Anima. Nosso catálogo aumentou e levamos arte para perto de muitas pessoas.
Se você gosta de escolher presentes que levem aquele tanto a mais de arte e conteúdo para os pequenos, nós temos duas dicas imperdíveis para este Natal. A primeira é A Vida Não Me Assusta, escrito por Maya Angelou e ilustrado por Jean-Michel Basquiat. Lançado há 25 anos nos Estados Unidos, somente em 2018 ganhou um versão em português, lançada pelo selo Caveirinha da editora DarkSide Books. Escrito no formato de poema, o livro não traz só a mensagem para que as crianças enfrentem com valentia seus medos, mas também traz representatividade de duas grandes e importantíssimas personalidades que sofreram racismo, um sem número de violências e, ainda assim não se assustaram com a vida. Produziram a arte que vive até hoje, ecoando sua forte mensagem.
Depois de quase 4 meses em exposição, a obra CAOS, do artista Eduardo Srur, passou por uma transformação radical no última dia 10 de dezembro, tornando-se praticamente um novo trabalho. O que antes eram 2 blocos enormes de carrinhos coloridos e presos de forma caótica uns sobre os outros, passou a ser uma enorme instalação no chão, com os carrinhos na mais perfeita ordem, lado a lado, fileira após fileira, lembrando o pátio cheio das montadoras. E assim, numa formação sem nenhum caos, veio o grand finale: quando o museu abriu suas portas no dia seguinte, cada um dos visitantes pôde pegar um dos carrinhos e levar para casa um pedaço da obra autografada pelo próprio Srur, que recebeu o público desde as primeiras horas.
Muitos de vocês já deviam estar-se perguntando: e Carlos Drummond de Andrade? Por que não apareceu ainda, ele que é provavelmente o mais famoso poeta moderno brasileiro? Para mim, não só o mais famoso; também o maior. Como não existe instrumento para esse tipo de medida, não posso apresentar provas, a não ser seus próprios poemas maravilhosos. De tempos em tempos trarei um aqui. E cada vez mais vocês se deslumbrarão, e acabarão concordando comigo. Eis os três grandes da língua portuguesa: Camões, Fernando Pessoa, Drummond.
Uma coisa puxa a outra. Da última vez, ouvimos Susan Boyle, descoberta num programa de tv inglês. A terra da Rainha me ficou na cabeça e, nesse caso, inevitavelmente eles tinham que ser os seguintes: Paul, Ringo, George e John, a mais ilustre banda de rock de todos os tempos. Qual era a mágica dos Beatles? De onde vinha sua sedução, que fazia as mocinhas desmaiarem histéricas nos shows, e o mundo inteiro comprar, encantado, seus discos? Eu não sei responder, talvez os especialistas saibam. Ao ouvi-los, hoje, o que me toca é o talento, a honestidade, a limpidez, seu modo transparente de ser e o lirismo saudável. Suas letras contam histórias simples, quase sempre do dia a dia, colocadas em lindas melodias.