outubro 2018
O Sesc Avenida Paulista traz uma atividade lúdica para as crianças, que poderão explorar as obras de uma mais importantes artistas brasileiras: Lygia Clark. Representante brasileira do neoconcretismo, Lygia Clark integrou o corpo do público na construção da obra de arte, aproximando-o de um viés terapêutico. Lygia foi uma das pioneiras mundiais na arte participativa, e deve ser especialmente encantador para o público infantil ser encorajado a tocar e sentir quando a norma corrente no mundo da arte é justamente contrária: não toque, não mexa!
Hoje, 17 de outubro, é comemorado o Dia da Música Popular Brasileira. A data é celebrada desde 2012, quando foi sancionada a Lei nº 12.624 que oficializou o Dia da MPB. A música popular brasileira resulta de um conjunto de manifestações culturais de influência indígena, africana e europeia. A década de 60 é considerada um período de ebulição para esse estilo musical. Foi nesse momento que passaram a coexistir o samba, o jazz, a Bossa Nova, e outros ritmos.
A Pinakotheke Cultural carioca realiza uma exposição para comemorar os 90 anos de nascimento do artista Flávio-Shiró. A mostra, que percorre a trajetória do artista desde os anos 1940 até os dias atuais, já aconteceu em São Paulo e está em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 17 de novembro. Vivendo em Paris desde 1953, Flávio-Shiró ainda mantém uma estreita ligação com o Brasil, mantendo um ateliê no Rio de Janeiro. Podem ser vistas mais de 44 obras suas entre pinturas, desenhos, fotografias e objetos, todos de sua coleção particular.
O poeta carioca Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) é um injustiçado. Foi também homem de negócios, ficou rico e escrevia discursos para Juscelino Kubitschek. Acontece que o sucesso material não é facilmente perdoado aos intelectuais e artistas. As pessoas parecem achar que eles têm a obrigação de ser pobres. Além disso, o profundo, romântico lirismo da poesia de Schmidt saiu de moda. Um dia ele vai recuperar o prestígio. Vejam como seus poemas são de uma fulgurante beleza.
Depois que matou um homem, em 1980, num incidente de rua, o pintor Iberê Camargo (1914-1994), um dos maiores abstracionistas brasileiros, voltou à figuração. Passou a pintar seres humanos que mais parecem espectros e monstros e outras imagens meio assustadoras – o que faz sentido, depois do que ele viveu. Mas antes disso, Iberê já era um artista altamente dramático. Seus quadros abstratos da década de 1970 resultam de gestos vigorosos que criam formas estranhas, como as sugestões de olhos no quadro acima [ao lado?]. A energia, a força interior e o conflito que vem à tona na obra de Iberê são únicos. Um mestre consumado.
De dois em dois anos, uma nova Bienal de São Paulo agita a cidade e chama a atenção do público e crítica internacionais. Merecidamente, porque é uma exposição de grande importância, reunindo centenas de artistas escolhidos no mundo inteiro. Nossa bienal foi criada em 1951, com o modelo e os mesmos objetivos da centenária Bienal de Veneza: dar a conhecer a produção artística que está acontecendo no momento, em especial a de vanguarda. Era um meio de fazer circular informação. Hoje existem milhares de livros sobre arte a preços acessíveis e podemos ver on line qualquer exposição na Internet. As bienais não são mais necessárias para informar, mas trazem as obras ao vivo. Ficar cara a cara com elas conserva certa mística. O público gosta.
O público de Belo Horizonte pode conferir a primeira exposição individual do artista mineiro Fábio Baroli. A mostra “À porta de casa”, em cartaz na Galeria Periscópio, traz obras inéditas tendo a figura do matuto como sujeito de uma narrativa contemporânea.
Se você mora em São Paulo e vai ficar na cidade neste feriado, aproveite para visitar a exposição em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) que celebra o centenário do artista brasileiro conhecido pela diversidade de sua obra e sua inegável importância histórica e cultural. A mostra apresenta mais de 300 obras, algumas inéditas, produzidas entre 1940 e 2005 e que formam um panorama de seu caminho no Brasil e no exterior. Quem visitar a mostra pode apreciar desde sua inspiração inicial pela azulejaria portuguesa, seu aprendizado sobre utilização das cores de quando foi assistente de Portinari, até as duradouras e geniais parcerias com Niemeyer e João Filgueiras Lima.
Até o próximo dia 29 o Memorial da América Latina em São Paulo se transforma em uma enorme galeria a céu aberto, recebendo dezenas de murais, pinturas, esculturas e instalações. Com curadoria de Binho Ribeiro, um dos precursores da street art no Brasil, a "4ª edição da Bienal do Graffiti" tem a participação de oitenta artistas de diferentes gerações, como os brasileiros Higraff, Ozi, Chivitz e o ganense Moh. O evento ocupa o muro da prédio da administração do memorial, a galeria Marta Traba e o prédio da biblioteca. Priorizando diferentes estilos e técnicas, o evento aposta em mega formatos. Os maiores murais têm até quatro metros de largura por três de altura.
Artista plástico e grande colecionador de arte, Marcos Amaro resolveu em 2012 dar acesso a seu impressionante acervo particular e apoiar projetos de arte e cultura. Para tanto, criou a Fundação Marcos Amaro - FMA - com sede em Itu. Fugindo do eixo que sempre privilegia as capitais, a FMA ocupa a antiga Fábrica São Pedro em Itu, que passou a se chamar Fábrica de Arte Marcos Amaro (FAMA). O local abriga o acervo em uma exposição de longa duração e tem o intuito de incentivar a produção artística contemporânea e difundir a obra de Marcos Amaro.