Arte
O Brasil tem para com a cultura uruguaia uma dívida impagável. Nada do que fizermos poderá reverter o dano que causamos. Em julho de 1978, realizava-se no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro a exposição Geometria Sensível, com centenas de trabalhos nacionais e estrangeiros e uma sala especial dedicada a um dos precursores e grandes representantes da tendência: o uruguaio Joaquín Torres García (1874-1949). Uma retrospectiva com oitenta obras cuidadosamente selecionadas dentro de uma produção pequena. Na noite do dia 8 o MAM pegou fogo e nada sobrou. Foi-se na fumaça o que havia de melhor no legado do maior artista daquele país. Simples assim: acabou.
Fiz uma seleção de obras de arte que abrange as obras de artistas como Leda Catunda, Cildo Meireles e Mira, e que também agrada colecionadores experientes de olho em artistas contemporâneos já reconhecidos e festejados no mercado de arte, como Rodrigo Matheus, Jarbas Lopes e Lourival Cuquinha.
Já saíram mais datas dos leilões da Blombô desse primeiro semestre de 2019! O próximo leilão começa amanhã, segunda-feira, e será em benefício do Pivô, uma associação cultural sem fins lucrativos que atua como plataforma de experimentação artística para artistas, curadores, pesquisadores, estudantes e o público em geral.
Em fevereiro, o MASP - Museu de Arte de São Paulo - traz as primeiras oficinas infantis de 2019. Os eventos são gratuitos e a participação se dá mediante inscrição online pelo site do museu. A primeira oficina será nos dias 9 e 10 (sábado e domingo) direcionada a crianças entre 8 e 12 anos, com a artista Leda Catunda, que irá propor exercícios de colagem e pintura sobre tecidos estampados com cores e texturas variadas.
Minha escolha para o vídeo de hoje ficou, no final, entre duas alternativas quase opostas, Elis Regina e Patricia Janecková – cujo nome a maioria de vocês provavelmente não conhece. Exceto por serem mulheres e cantoras, se distinguem em todo o resto. Da grande Elis, claro, não preciso falar, e prometo que ela estará aqui em breve. Janecková é uma brilhante e jovenzíssima soprano coloratura, que vai completar 20 anos agora em 2019, nascida na Alemanha mas de origem e formação eslovacas. Bonita como todas essas cantoras que nos vêm da Europa do Leste.
Hércules Barsotti foi um pintor admirável. Viveu muito (de 1914 a 2010) e trabalhou infatigavelmente. Em seus últimos anos, sabia que se tinha transformado num artista badalado e caro, o principal representante vivo da pintura abstrata geométrica no Brasil. No entanto não mudou seus hábitos, não ficou mascarado nem fez uma arte cada vez mais intelectual e inacessível. Pelo contrário. A pintura de Barsotti sempre se distinguiu por sua (falsa) simplicidade e pela grande sensibilidade, longe das complicações teóricas em que muitos de seus companheiros de linguagem se metiam. A estrutura e a composição dos quadros são pensadas, mas o belo colorido é intuitivo e deseja apenas seduzir. Um raro exemplo de perfeito equilíbrio entre razão e emoção, tanto no artista como para quem olha sua obra.
Há cerca de meio século (no Brasil, há menos tempo), a fotografia adquiriu o status de arte e passou a frequentar galerias e museus. Sabe-se hoje que não é a técnica nem a dificuldade de produção que determinam o que é artístico ou não. A obra de arte é o registro privilegiado de uma visão (em sentido literal ou figurado) da vida e do mundo – e para tanto a fotografia está em casa.
Tudo nesta exposição é bom. O artista – o grande Lasar Segall. O local, o novo prédio do SESC no centro de São Paulo (rua 24 de maio). A curadoria, da crítica de arte Maria Alice Milliet. O projeto de montagem das obras, pelo arquiteto Pedro Mendes da Rocha. Não tenho senão como recomendar-lhes a visita.
Dizem que é bom malhar em ferro quente. Então tratemos de novo de Fernando Pessoa, que é um poeta inesgotável e poderá voltar aqui várias vezes sem nos cansar. Aliás, Pessoa (Lisboa, 1888-1935) não foi um poeta, foi vários. Para expressar os mundos conflitantes que sentia dentro de si, criou heterônimos, poetas imaginários, e sob o nome de cada um deles produziu determinado tipo de poesia. Os principais foram Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Fernando Pessoa ele próprio. Inventou até as biografias deles. Ricardo Reis, por exemplo, a certa altura emigrou para o Brasil. Por sua vez o grande romancista português José Saramago imaginou uma volta de Reis a Lisboa, no fim da vida, e escreveu O Ano da Morte deRicardo Reis, um livro brilhante.
Tenho a impressão de que a imagem acima do pianista Lang Lang não é uma montagem. Fazer uma
acrobacia para ser fotografado é completamente o estilo dele. Lang, nascido na China em 1982, é um desses prodigiosos músicos que o Oriente tem fornecido à música clássica nos últimos vinte anos. Não nos surpreende a ideia de japoneses, chineses, coreanos, etc., treinando obsessivamente 18 horas por dia até virarem insuperáveis virtuoses. A maioria deles usa a técnica excepcional só a serviço da música. Lang Lang vai além: adora o espetáculo, é careteiro, faz cena. Toca maravilhosamente bem mas tem um defeito: costuma exagerar na rapidez, na velocidade, para tornar ainda mais brilhante sua execução.

