Um feixe de relações
A exposição “Corpo vibrátil” discute o corpo expandido para além da sua dimensão física. As obras de Ana Blumer, Felipe Diniz Sanguin, Júlia Dugaich, Mari Sperandio e Thiá Sguoti abordam o corpo em sua dimensão metafísica, política, espiritual, ancestral e subjetiva.
Nas pinturas de Felipe Diniz Sanguin, a figura humana se expõe em sua vulnerabilidade e potência, atravessada por erotismos e tensões sociais, carregando no próprio corpo as marcas do caos político e afetivo do presente. Em Ana Blumer, o corpo é atmosfera: dissolve-se em paisagens que fundem natureza e espiritualidade, onde cor e gesto são extensões de estados internos e afetos profundos. Júlia Dugaich modela corpos sem fronteiras fixas, híbridos entre cultura e natureza, em esculturas que evocam formas orgânicas e ritmos de crescimento da vida. Mari Sperandio lança uma crítica feminista ao local que a sociedade atribui ao corpo da mulher, subjugado ao espaço do cuidado e do trabalho doméstico, transformando maquiagem, costura e objetos do cotidiano em dispositivos críticos e poéticos sobre afeto, trabalho e poder. Já Thiá Sguoti convoca seres mitológicos e quimeras, sobretudo a sereia, para criar corpos metamórficos, portais para memórias ancestrais e espiritualidades não humanas/divinas, onde a imaginação é também um ato de resistência.
Portanto, a exposição convida o público a refletir sobre o corpo como um campo de disputa. É nele que se inscrevem as marcas do poder e da violência, mas também as estratégias de fuga, reinvenção e desejo. Cada obra, à sua maneira, fabrica um corpo vibrátil, um sensor e emissor de forças: corpos que não se limitam à pele, mas se expandem em cor, matéria, gesto, mito e crítica, abrindo passagem para o que ainda não tem forma, pois aqui, o corpo não é só aquilo que se vê, é o que se sente.
Lucas Dilacerda
Curadoria, AICA - International Association of Art Critics
Lucas Dilacerda
Curador e Crítico de Arte
É Curador e Crítico de Arte. É sócio da ABCA - Associação Brasileira de Críticos de Arte. Realizou mais de 30 curadorias dentre exposições coletivas e individuais. Ministrou mais de 60 cursos e 180 apresentações em diversas instituições de arte no Brasil. Possui mais de 30 textos, críticas de arte e artigos publicados. É autor do livro “Pensamento alienígena: a fabulação de novos mundos possíveis”. É coordenador da CAV - Curadoria em Artes Visuais; do LAC - Laboratório de Arte Contemporânea; e do LEFA - Laboratório de Estética e Filosofia da Arte. Graduado (Licenciatura e Bacharelado) em Filosofia, com ênfase em Estética e Filosofia da Arte, com distinção Summa Cum Laude, pela Universidade Federal do Ceará (UFC); Especialista em Arte e Filosofia Clínica, pelo Instituto Packter; Mestre em Filosofia, com ênfase em Estética e Filosofia da Arte, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFC; Graduação em Artes Visuais, pela Universidade Estadual do Ceará; e Mestrado em Artes, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da UFC.