Mauricio Nogueira Lima
Brasil - 1930 - 1999
Nascido em 1930, Maurício Nogueira Lima foi o mais jovem integrante do Grupo Ruptura, que reuniu, em São Paulo, artistas abstratos geométricos no início da década de 1950. Ao lado de Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros e Luis Sacilotto, Nogueira Lima desenvolveu uma sólida carreira como artista concreto, tendo exposto pinturas geométricas na III, IV e VI Bienal de São Paulo. Com essa produção, foi convidado pelo artista suíço Max Bill a tomar parte na célebre mostra Konkrete Kunst (Arte Concreta), realizada em Zurique, em 1960.
Assim como outros artistas do Grupo Ruptura, Nogueira Lima voltou-se para a figuração logo após o golpe de 1964. Nesse período apropriou-se de imagens dos meios de comunicação de massa para construir trabalhos de alto impacto visual: ídolos do cinema, do futebol e da música pop são protagonistas nas pinturas, assim como sinais gráficos e onomatopeias que denunciavam de maneira velada a violência instituída pelo novo regime. Em 1967 colaborou na organização da lendária mostra “Nova Objetividade Brasileira”, ocorrida no MAM-RJ, e assinou o manifesto coletivo “Declaração de princípios básicos da nova vanguarda”.
Em 1973 retomou a abstração geométrica, no entanto, fazendo-o com maior liberdade formal. Interessou-se pelas texturas, pelos efeitos das pinceladas e pelo comportamento da tinta acrílica. Criava ilusão de volumes por meio de vibrações cromáticas e, a partir desses estudos, realizou uma série de intervenções urbanas em São Paulo, em lugares como a Praça Roosevelt e o Minhocão. Na década de 1990 realizou trabalhos pioneiros de intervenções cromáticas com projeção noturna nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, e no Estádio Municipal do Pacaembu.
Paralelamente à produção plástica, Nogueira Lima criou cartazes, logotipos e projetos arquitetônicos de importantes empresas e eventos, como a FENIT (Feira Internacional da Indústria Têxtil) e a UD (Feira de Utilidades Domésticas). Foi vencedor dos concursos de cartazes do I e do VI Salão Paulista de Arte Moderna (respectivamente em 1951 e 1957) e, na década de 1980, MNL projetou painéis para as estações Santana e São Bento – ambas do metrô paulistano.
Fontes:
Texto: Regina Teixeira de Barros
Confira a seleção de obras deste artista