Jacqueline Aronis

Jacqueline Aronis

Brasil - 1955

Jacqueline Aronis é licenciada em Educação Artística pela Fundação Armando Álvares Penteado- FAAP, especializou-se em gravura no Programa de Pós Graduação da Slade School of Fine Art, University College London- UCL, em Londres e é doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo- ECA-USP. Lecionou no Instituto Europeu de Design- IED e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Escola da Cidade de São Paulo- AEAU. Reside e trabalha em São Paulo, onde ministra cursos de desenho em ateliê próprio há 18 anos. Desde os anos 1980 expõe seu trabalho regularmente no Brasil e no exterior.

Entre as exposições individuais, destacam-se:
_1994, Gravuras, Museu da Gravura Cidade de Curitiba, Paraná
_2002, Centro Universitário Maria Antônia, São Paulo
_2003, Grafische Arbeiten, Kunstverein Ludwigshafen, Alemanha
_2004, Monotipia, Gravura Brasileira, São Paulo
_2009, Matéria gráfica: ideia e imagem, Galeria Graphias, São Paulo

Entre as exposições coletivas, destacam-se:
_1981, Gravura Jovem, MAC USP
_1990, II Bienal de Gravura da Amadora, Portugal
_1998, The 4th Sapporo International Print Biennale, Japão
_2003, 8ª Bienal de Havana, Cuba
_2005, Amsterdams Grafische Atelier, Amsterdã, Holanda
_2005, Gravura Brasileira, Forum fur Kunst, Heidelberrg, Alemanha
_2007, Brazilian Printmaking, Pratt Institute. Nova York, EUA
_2008, Brazilian Contemporary Printmakers. Hilyer Art Space, Washington, EUA
_2008, Grabadores Brasileños Contemporáneos, IAGO- Instituto de Artes Gráficas de Oaxaca, México
_2011, I Bienal Internacional de Gravura de Santos
_2014, Coletiva Inaugural 11 artistas consagrados, Galeria Garage, São Paulo
_2014, 2015, 2016, Projeto Metropolis, idealizado por Andreas Kramer, Centro Internazionale della Grafica di Venezia, Itália

Sua obra está presente em importantes acervos, tais como MAC-USP (São Paulo), Instituto Itaú Cultural (São Paulo), Portland Art Museum (Oregon, EUA), Sapporo International Print Biennale (Japão), Museu Nacional de Belas Artes de Havana (Cuba), Fundación CIEC, Corunha (Espanha).

"Meu trabalho contém uma dimensão lírica que se traduz em rapidez e leveza mas que não é superficial, que também não é sintética. O máximo possível ou o mínimo possível; o indizível é o limite da minha gravura.
Os procedimentos técnicos me inspiram e são um apoio enquanto executo a gravura. Meu imaginário requer que eu passe pelos procedimentos, entendidos como doadores de ritmos, de timbres. Os instrumentos de gravação oferecem resistências diferenciadas, eles são para mim portadores de sentimentos e percepções. Os tempos dos procedimentos também são os da produção da imagem.
Tenho estado conectada com os elementos da paisagem, não só da paisagem como conjunto, mas com os elementos que fornecem contorno, mapeamento, transição pelo espaço, e também com as conexões do tempo e do espaço.
A possibilidade de trabalhar as qualidades das linhas é o que me interessa: prefiro o nítido à construção da imagem como aparato sobrecarregado. Gosto de ver a figura surgir na matriz e depois na estampa, em diálogo constante.
Para mim, o sonho funciona como um lugar de geração de imagens; quando estou envolvida com o que estou produzindo ou mesmo quando não estou fazendo gravura, elaboro imagens, e os sonhos me trazem de uma maneira plena indagações que têm a nitidez dos procedimentos plásticos. Meus sonhos são muito coloridos e criam panoramas, paisagens, objetos. Do sonho o que fica não é apenas uma imagem, mas o sentimento que a acompanha.
A gravura é fundamental para mim porque ela apresenta inúmeras possibilidades na elaboração das imagens. Penso o ateliê como um lugar de encontro, de inspiração, e nele a gravura propõe uma prática complexa. É da confluência no complexo que decorre a reflexão. Por isso, vejo a gravura como reflexão e não como reprodução de imagens."
Jacqueline Aronis

Sobre a obra de Jacqueline Aronis, escreveram:

"Antes, são os espaços não mensuráveis que assim configurados se desdobram no tempo e na ausência das margens: na geometria dos triângulos claros e escuros dispostos e justapostos pelos vértices e na mancha brilhante de uma quantidade de estrelas que acendem e se apagam a diferentes distâncias e na trama de uma folha de papel. Muitos eixos imaginários parecem ordenar este universo gráfico intuído pela luz e seu desenho.
Entre o claro e o escuro, uma sábia economia de meios. A ponta seca e a maneira negra são os seus instrumentos de gravar.
Cortes e crivos profundos sobre o metal descobrem uma gravura exposta a todos os extratos de uma variedade tonal, ao modelado da forma, à tinta e à necessária transmissão matriz e estampa. São estes os constituintes de uma matéria gráfica sensível e íntegra.
Autônoma e plena de significados."
Evandro Carlos Jardim, artista plástico

"Então, a gente poderia dizer que você escreve sonhos, mas que você também escreve ao descrever paisagens. Estas árvores: eu não as vejo como signos, mas como entrelaço de linhas. Eu as vejo como desenho puro, sem redução ao signo. Essa parcimônia no uso da linha, que realiza tudo o que tem de ser feito, não é apenas um registro sígnico, é algo graficamente real. Você não acha que é possível distinguir entre uma linha que não é escritural e uma linha que é escritural?
A sua gravura, Jacqueline, é parcimoniosa nos recursos, mas em nenhum momento essa parcimônia aponta para o conceitual ou para o minimalismo, pois faz pensar uma dimensão lírica."
Leon Kossovitch, filósofo e crítico de arte

"O triângulo invertido forma uma ampulheta que filtra as palavras e transforma o tempo. Cria-se uma nova dimensão espacial com a gravura. O resultado lembra vagamente a espacialidade da gravura de Rosetsu. O espectador está diante de uma folha de papel de dimensões ínfimas, mas o olho não consegue se fixar num único ponto, vagando nas profundezas do espaço branco da folha. A gravura não representa. Ela existe em estado caótico, unindo imagem e matéria num único bloco, exatamente como o barco, as nuvens e as montanhas do lírico trabalho Entardecer."
Antonio Gonçalves Filho, jornalista e crítico de arte

"Quando a porta do ateliê se abre, inaugura-se um pensar que se manifesta no desenho e na gravura. A construção de um alfabeto visual faz com que os pássaros voem e seres humanos alados atinjam o infinito. Muito mais do que uma seleção de imagens, o que temos pela frente é uma trajetória existencial com sua peculiar poesia.”
Oscar D´Ambrosio, jornalista e crítico de arte

"As gravuras de Jacqueline Aronis inscrevem-se neste quadro de negação da reprodutibilidade e seriação da imagem gravada. Mais: constituem-se numa estratégia estético-ideológica, contrária aos processos de popularização da imagem para afirmar o sujeito, o artista criador em sua viagem solitária e em desencantamento com o mundo, onde o trabalho se configura como um esforço de transposição para outros espaços, outras paisagens, buscando significado e transcendência para seu gesto, para a sua existência.
Ainda que o embate do trabalho com o real se desfaça de qualquer ilusão ou romantismo quanto às possibilidades de interferência e alteração do mundo, ele, em sua singularidade, propõe uma viagem pelo imaginário como possibilidade de alguma subjetividade, de emergência de um eu afirmativo da vida."
Ivo Mesquita, curador e crítico de arte

"Sem o recurso incidentalmente redutor da deriva mística, o que presenciamos são, por assim dizer, os portulanos de uma "viagem astral", tanto mais interessantes quanto menos a obviam. E isso, por qual razão? Há algo de eloquente nestas gravuras que não dissecam, e sequer, lato senso, analisam. Tão somente, e programaticamente, veem. Para lá do sonho e da vigília, são estranhamente reais. Aqui, vale recordar que o verbo "constelar" assume um viés diferencial, se tomado pelo prisma da teoria junguiana, que o torna índice do crescimento psíquico.
Portulanos, claves de navegação, imagens resgatadas em sua sabidamente irrepresentável categorização. Aí as temos, (ir) resgatadas e, inda assim, íntegras em sua relação (in) conciliável.
Eloquentes devido ao mínimo maximizador da linguagem da gravura em metal, certo, mas antes de mais nada surpresivas, como imagens-nexos.
Pulsares, pulsações, palavras.
Emissões, falares.
Coração-galáxia?
E dentro da caixa torácica, galáxia-coração?
Surpresas."
Horácio Costa, poeta e ensaísta

Fonte:
Foto: https://vejasp.abril.com.br/cultura-lazer/fotos-mulheres-nascidas-1955-nellie-solitrenick/
Texto: https://www.trapeziogaleria.com/artistas/j-q/jacqueline-aronis

Obras do Artista

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