Ione Saldanha

Ione Saldanha

Ione Saldanha (Alegrete, RS, 1919 – Rio de Janeiro, RJ, 2001) foi uma pintora, escultora e desenhista brasileira, reconhecida por uma trajetória marcada pela investigação da cor, da geometria e pela expansão da pintura para além dos suportes tradicionais.

Radicada no Rio de Janeiro, iniciou sua formação artística no ateliê do pintor Pedro Luiz Correia de Araújo, em 1948. Nesse período, também teve contato com artistas como Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva. Em 1951, viajou para a Europa, onde aprofundou seus estudos sobre a técnica do afresco, passando pela Académie Julian, em Paris, e por Florença, na Itália.

Suas primeiras experiências artísticas estiveram ligadas à figuração, incluindo retratos, cenas do cotidiano e representações de fachadas e casarios. Progressivamente, esses elementos foram submetidos a uma crescente simplificação formal. A geometria, a verticalidade e, sobretudo, a organização cromática ganharam protagonismo, conduzindo sua produção em direção à abstração. Essa passagem ocorreu de maneira gradual e coerente, tornando a cor um dos elementos fundamentais de sua linguagem.

No final da década de 1960, Saldanha promoveu uma transformação decisiva em sua prática. A pintura deixou de estar restrita à tela e passou a ocupar o espaço por meio de suportes não convencionais. Ripas de madeira, bambus, bobinas e, posteriormente, elementos de madeira empilhados receberam suas composições cromáticas, aproximando pintura, objeto e escultura. Essas experiências tornaram-se algumas das manifestações mais características de sua produção.

Ao longo de quase seis décadas de atividade, Ione Saldanha construiu uma obra singular dentro da arte brasileira do século XX. Participou de diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, recebendo prêmio de aquisição em 1967 e contando posteriormente com salas especiais dedicadas à sua produção. Em 1969, recebeu o prêmio de viagem ao exterior no 7º Resumo de Arte do Jornal do Brasil, que lhe possibilitou viajar pelos Estados Unidos e pela Europa.

Sua trajetória foi revisitada em importantes exposições retrospectivas. Em 1988, sua produção foi apresentada em Resumo de 45 Anos de Pintura, realizada simultaneamente nas galerias Anna Maria Niemeyer, Paulo Klabin e Saramenha, no Rio de Janeiro. Em 1996, recebeu uma exposição no Paço Imperial. No ano de sua morte, em 2001, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói apresentou a retrospectiva Ione Saldanha e a Simplicidade da Cor. Mais recentemente, sua relevância histórica foi reafirmada pelo MASP com a exposição Ione Saldanha: A Cidade Inventada, realizada entre 2021 e 2022.

Hoje, Ione Saldanha é reconhecida pela contribuição particular que ofereceu à investigação da pintura no Brasil, especialmente pela maneira como articulou cor, estrutura geométrica e espacialidade, fazendo a linguagem pictórica avançar da superfície bidimensional para objetos que estabelecem uma relação direta com o espaço. Obras da artista estão presentes em importantes coleções museológicas brasileiras, e sua produção permanece relevante para a compreensão dos desdobramentos da abstração e das vertentes construtivas na arte brasileira.

Fontes:
Texto: Pesquisa e curadoria Blombô, com apoio de inteligência artificial para redação e estruturação de conteúdo.

Obras do artista

Confira a seleção de obras deste artista