Emeric Marcier
- 1916 - 1990Emeric Marcier (Cluj, Romênia, 1916 – Paris, França, 1990) foi um dos mais importantes pintores modernos brasileiros, reconhecido por suas paisagens, retratos e obras de temática religiosa. Destacou-se também por suas obras murais de grandes dimensões. Com 20 anos, saiu da Romenia para estudar na Academia de Belas Artes de Brera, em Milão, cuja graduação concluiu com a defesa de uma tese sobre Picasso. No inicio de 1939, com a ascensão do fascismo na Itália, Marcier, judeu de origem, mudou-se para Paris, onde alugou um ateliê na Cité Falguière, que havia sido de seu amigo Victor Brauner. Sua pintura nessa época era surrealista, tendo convivido com vários artistas surrealistas romenos e húngaros, como Victor Brauner, Jacques Herold e também com Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva. Em Paris, frequentou o curso de escultura da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts. Com o avanço da Segunda Guerra Mundial na França, mudou-se para Lisboa no final de 1939, onde se hospedou na residência de Arpad Szenes e Vieira da Silva, que já se encontravam em Portugal. Em Lisboa trabalhou no ateliê do pintor surrealista Antonio da Costa. Conviveu com escritores e intelectuais portugueses, tendo colaborado com a revista Presença, importante veículo da intelectualidade portuguesa nessa época. Em 1940, veio para o Brasil, em decorrência da insegurança na Europa. Chegou ao Rio de Janeiro com três cartas de apresentação para: Mario de Andrade, José Lins do Rego e Candido Portinari. Por intermédio de José Lins do Rego, conheceu Murilo Mendes, Lucio Cardoso e Jorge de Lima, que foram seus amigos durante toda a vida. Já em 1940, realizou sua primeira exposição individual, no tradicional Salão do Palace Hotel, em vaga deixada por Guignard. A crítica foi muito favorável ao seu talento, ainda um jovem artista surrealista europeu. Dois anos depois, fez uma grande exposição no Museu Nacional de Belas Artes. Em 1942, o artista foi convidado pela Revista O Cruzeiro para fazer uma viagem às cidades históricas mineiras, para ilustrar com suas telas uma edição icônica, com textos de Carlos Drummond de Andrade, Abgar Renault, Aires da Matta Machado e outros. Foi impactado pelo barroco mineiro e esta viagem inaugura a pintura de paisagens que marcaram sua obra até o fim da sua vida. Desde então, retratou o Brasil, a sua gente e seus costumes. Como pintor viajante, retratou paisagens de diversas partes do Brasil e da Europa. Ao longo de sua carreira, além das paisagens e retratos, destacou-se pelas pinturas religiosas e pelos grandes murais executados sobretudo em afresco. Em 1946 pintou os afrescos da Capela Cristo Rei em Mauá SP. Marcier residiu inicialmente no Rio, em Santa Tereza. Em 1948, o artista fixou residência no sítio Sant’Ana de Barbacena, onde em seu ateliê, pintou importantes telas sacras de grandes dimensões. Na década de 1970, passa a residir principalmente em Ipanema, mas passando grandes períodos em Paris, sem nunca se desligar de seu sítio em Barbacena. Suas obras estão presentes nos principais museus brasileiros e fez diversas exposições individuais e coletivas no Brasil, França, Romenia, Estados Unidos, Japão, Itália, entre outras. Participou da Segunda e Terceira Bienal de São Paulo, e da Bienal de Arte Sacra de Salzburgo. Marcier deixou um livro de memórias, intitulado Deportado Para a Vida, (editado pela Francisco Alves).
Fontes:
Texto: Pesquisa e curadoria Blombô, com apoio de inteligência artificial para redação e estruturação de conteúdo.
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