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Quando a arte foi à guerra

Paula Reis por Paula Reis

Estranho pensar nisso, mas sim, a arte esteve presente em muitas guerras e conflitos e, ainda hoje, participa de algumas. Não apenas como tema de obras, mas com artistas efetivamente lutando ou sendo contratados pelo governo para retratar o que acontecia nas frentes de batalha em pinturas, desenhos e cartuns.

Muitos foram convocados ou alistaram-se voluntariamente para lutar na I e II Guerras Mundiais. Compositores, pintores, escritores e pianistas, entre outros, foram para o meio do conflito. Alguns perderam suas vidas, como os expressionistas alemães August Macke e Franz Marc.

Prostituta e veterano de guerra na obra de Otto Dix (1923)

Os que foram comissionados tiveram o importante papel de retratar e contar à humanidade como era a guerra de verdade. O aquarelista e gravurista Muirhead Bone foi contratado pelo Escritório de Publicidade de Guerra da Grã-Bretanha e enviado à França. Em apenas seis semanas fez mais de 150 desenhos ultrarrealistas, documentando a destruição pelo território francês. Mas houve também aqueles que utilizaram suas habilidades em táticas de guerra, trabalhando na camuflagem de itens como peças de artilharia, até navios de guerra.

A arte brasileira não ficou de fora dessa. Em 1944, enquanto pracinhas da FAB – Força Expedicionária Brasileira – chegavam à Itália, Londres recebia a primeira exposição coletiva de arte brasileira na Europa, com nomes do então jovem modernismo brasileiro como Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Lasar Segall e Di Cavalcanti. Não foi fácil organizar a mostra. Os principais museus e galerias, como a Tate e a National Gallery, ou estavam fechados ou haviam sido destruídos pelos bombardeios. Além disso, como convencer a Coroa Britânica a aceitar uma exposição de arte em plena Londres bombardeada pelos alemães? O Brasil deu um lance diplomático: os artistas doaram seus trabalhos e firmou-se o compromisso de doar toda a renda obtida para a Força Aérea Britânica. Dessa forma, tornou-se quase impossível recusar a oferta. Foram vendidas 80 das 168 obras, resultando num valor de mais de 800 libras, o que em valores atualizados daria R$ 136 mil reais.

Abertura da exposição de arte brasileira em Londres, em 1944

Infelizmente ainda hoje a guerra acontece pelo planeta, mas a arte resiste dando forças a quem vive seus horrores e ajudando a dar voz às vítimas de atrocidades.

Fonte: Superinteressante, BBC

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Paula Reis

Paula Reis

Publicitária
Publicitária formada pela ESPM-SP, faz parte da equipe da Blombô, o primeiro marketplace de arte online do Brasil. Apaixonada por escrever e por Arte em todas as suas formas, vem produzindo conteúdo desde os primórdios da internet e se especializando em História da Arte, com cursos pelo MASP Escola, Escola Panamericana de Arte e outras instituições. Se você tem qualquer dúvida ou sugestão para o Blog, mande uma mensagem: ela também adora conhecer novas pessoas e trocar ideias!

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