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Márcio Ficko

Márcio Ficko

Brasil

Marcio Ficko, artista visual de Guarulhos, do Brasil, da periferia, dos rolês das ruas de São Paulo. Conhecido como Ficko.
Multidisciplinar que trabalha com instalações, fotografias e pinta suas obras a óleo, spray e acrílica.
Ainda muito pequeno, com apenas três anos sua mãe recorda que dentro de casa ele já desenhava e rasgava o papel criando suas pipinhas, com sete anos começou a empinar pipas na rua, um objeto que faz parte da sua história e de muitas crianças e adolescentes da periferia. Este objeto de papel por gerações sobe e encontra no céu seu espaço. Quando caí no chão é esquecido depois da brincadeira e deixado na paisagem, onde se decompõe na terra, podemos dizer que nossas vidas são como as pipas?
Para construir uma pipa são minutos ou até horas de criação e construção, mas em segundos a linha é cortada, este objeto efêmero ensina que o ganhar ou perder, a tristeza ou alegria...a dualidade faz parte da vida.
É entre as linhas cortadas que eles aprendem a ter controle sobre suas emoções, competem, brigam, resolvem conflitos entre eles.
Empinar pipa poderia ser um esporte, mas é o brinquedo que para muitos foi sua única opção na infância, que têm o divertimento acima de qualquer outro propósito.
Um brinquedo periférico na arte contemporânea
Marcio Ficko confessa que teve que enfrentar suas questões emocionais e de relacionamentos por muito tempo e foi na arte que ele liberou as dores, as cores, os símbolos para sintetizar em si o entendimento, a forma como ele traduz os sentimentos e a vida.
Os triângulos das suas obras podem ser pipas que estão voando alto, que estão se equilibrando na paisagem ou pipas que foram deixadas no caminho, nos espaços profundos das telas brancas ou pretas.
Ficko usa uma paleta que tem seus próprios significados e um deles é falado por ele com ingenuidade uma informação relevante: “o azul e vermelho são as cores dos times preferidos dos meus pais”, representando a presença constante deles nas obras.
A busca de um conceito e significados ou até a relação com movimentos artísticos do passado foi uma preocupação que há muito tempo foi investigado por ele e por pessoas que tiveram interesse em suas obras. Estava bem ali claramente, o lúdico das pipas teve e tem o seu papel neste amadurecimento. Por ser um artista intuitivo, das margens, onde o acesso a história da arte não existiu, fez com que ele voasse em outros mundos, seus rolês pela cidade de São Paulo ainda na época do pixo e depois migrando para graffiti foi criando nele o desejo de conhecer mais do mundo e sua relação com as paisagens, viajou para Europa, ficou três meses na Alemanha através de um projeto de arte e estas descobertas fizeram parte da sua pesquisa, ele sendo extremamente visual foi se interessando cada vez mais em entender os movimentos artísticos, entender as cores, saber dos artistas e assim ele segue sua busca com suas próprias linhas e rabiolas pelo céu de profundas descobertas.
Liberdade efêmera
Refugiados do mundo, em 2020 muitos se fecharam em suas buscas e descobertas sobre si, para ele a introspecção neste recolhimento da pandemia foi onde a pipa se mostrou forte, relembrando na sua beleza, que por mais efêmera que seja a liberdade os momentos valem a pena serem lembrados, sentidos e a lembrança de terem sido bem vividos, aqueles que não devem ser lembrados são virados os papéis nas suas pipas e jogadas ao céu.
As relações, a vida, a dor, a alegria, os momentos, a pipa é efêmera, mas os sentimentos não, sempre guardaremos fragmentos dentro de nós que nos fortalecem para o momento atual. E foi nessa procura por si só que foi deixando os significados mais claros.
Na periferia já existiam pandemias, a desigualdade social falada por poucos e vivida por muitos, a falta de liberdade é a linha cortada na infância, antecipando as fases, muitas crianças começam a assumir responsabilidades de adultos e sem escolhas param de brincar, este descaso social mina a liberdade de ser criança.
Já no mundo das crianças mais abonadas, empinar “pipas no apartamento” não é algo possível e os brinquedos são mais tecnológicos e tomam conta dos espaços fechados.
Em se tratando de futuros adultos, no fortalecimento emocional, não importa a classe social, as crianças desestimuladas são crianças esquecidas, o brincar é a primeira fase, o mínimo que podemos fazer é tratar as crianças com dignidade e respeito.
Foi só com o tempo que o significado de um brinquedo de criança foi criando força e cada coisa começou a se apresentar de uma forma diferente, quatro triângulos se transformam numa pipa e desconstruída vira a forma de expressar suas emoções.
Pintar horas por dia triângulos para cima e para baixo foi como ele criou uma linguagem própria para contar sua história.
O mais notável nos traços é a sofisticação que junta mundos, onde a diferença social burlou a meritocracia, trazendo a estética super refinada de uma maneira muito intuitiva.
A obra “Liberdade efêmera” está numa caixa double-face para ser sentida por todos os lados e dela jorra uma rabiola vermelha que pode ser traduzida de várias formas, como as dores das famílias que perderam seus entes queridos neste momento histórico que estamos vivendo.
Sua vida gravita em torno da arte, expandindo sem se preocupar pelo tempo que passou, apenas respeitando e minimizando as dores contidas nas histórias pessoais que viveu junto com sua família, são nas suas pinceladas fortes e ligeiras que põem para fora o que não precisa mais ficar.
A criatividade das suas obras desconstroem as pipas em triângulos azuis e vermelhos e podem ser decodificadas pelos mais sensíveis.
O branco ou preto deixam partes das telas intactas com grandes espaços que ainda serão preenchidos na vida.
Texto: Anna Sofia Soares

Gestão compartilhada: Marcio Ficko e Eloarte.

Fontes:
Foto: http://marcioficko.com/sobre/
Texto: http://marcioficko.com/sobre/

Obras do Artista

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